Pelos amplos corredores de Hogwarts, dois quintanistas da Sonserina
discutiam muito baixo, quase sussurrando, com medo de serem ouvidos.
– Tem certeza que isso vai dar certo, Mulciber? Não acha que ele vai perceber?
– Cale a boca Avery, já disse que não tem como dar errado. O Snape, apesar de sonserino, é um idiota, isso sem falar na Evans.
– Ok, ok, vamos logo com isso.
Os
dois amigos continuaram andando até chegar a uma sala de aula vazia, a
não ser por uma garota loira também com vestes verde e prata.
– Vejo que recebeu nosso convite, Ciça. Ficamos lisonjeados que tenha comparecido e...
– Chega de conversa, Mulciber. Diga logo o que quer.
– Sente-se. – o garoto ergueu a varinha diretamente para a porta e murmurou – Colloportus.
O garoto conjurou três cadeiras no canto da sala e selou a porta para conversarem despercebidos.
Avery começou:
– Bem Ciça, nós a chamamos aqui para lhe fazer uma proposta, que tenho certeza que trará benefício a ambos os lado.
– E o que é?
– Já teríamos falado se você não nos interrompesse tanto.
Narcisa soltou um muxoxo.
–
Como já deve ter percebido, o Snape vive andando com a sangue-ruim da
Evans, mas o que nos deixa mais preocupados é a ideia de ele estar
gostando dela, bem, daquele jeito. – disse Mulciber, fazendo cara de
nojo.
– E o que eu tenho a ver com isso? Que se dane o Snape. – respondeu Narcisa impaciente, já se levantando.
– Calma Ciça, melhor ouvir até o fim. Afinal, sabemos do seu segredinho. – disse Avery, sorrindo maliciosamente.
Narcisa
parou, com a mão na maçaneta. Parecia petrificada. Sua face estava mais
pálida que o normal, e seus olhos arregalados revelavam medo e
preocupação.
– Não sei do que está falando. – disse ainda de costas.
–Ah sim, você sabe muito bem do que estamos falando. Pensa que somos idiotas?
A
garota virou-se bruscamente, seus cabelos loiros, presos em um rabo de
cavalo, balançando. Correu até Avery, ajoelhou–se e o agarrou pelas
mãos.
– Não conte para a Bela, por favor! – chorou Narcisa. – Ela
vai arruinar a minha vida, e acabará com todas as minhas chances de...
– Cale a boca! Você fala como se tivesse alguma chance. – respondeu Avery.
Mulciber se levantou:
–
Chega!Sabemos que o Snape passa tempo demais com aquela sangue-ruim
imunda, o que o torna cada vez mais distante de nós sonserinos, e cada
vez mais perto de arruinar de vez a chance de se tornar um verdadeiro
seguidor do Lorde das Trevas. – explicou Mulciber. – O plano, por sua
vez, é muito simples. Queremos que você, Ciça, se aproxime dele. Faça-o
perceber que o nosso lado é indiscutivelmente mais interessante e
produtivo. Em outras palavras, tire-o de perto de Lily Evans.
– E como eu farei isso? – Narcisa agora estava visivelmente interessada.
–
Você é burra ou o quê? – ralhou Avery. – Converse com ele, fale sobre
coisas que ele se interessa, seja doce, faça-o se apaixonar por você,
sei lá! Depois que conquistar sua confiança, traga-o de vez para o nosso
lado. Em troca, não divulgaremos o seu segredinho.
– Mas
lembre-se, vá com calma. O Snape não é do tipo sociável, não está
acostumado com garotas flertando com ele. – advertiu Mulciber.
– Temos certeza que vai conseguir, Ciça.
Narcisa se levantou também:
– Tudo bem, tudo bem. Mas vocês tem que me PROMETER que ninguém saberá... d-daquilo. – disse corando.
– Sabíamos que iria topar. – disse Avery – Afinal, sonserinos ajudam sonserinos.
– Bem, e quando começamos?
– Amanhã.
E com um aceno da varinha, Mulciber destrancou a porta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário