Lily Evans acabara de passar pela pior experiência de sua vida. Há
poucos minutos, vira Severo Snape e Narcisa Black se beijando
apaixonadamente, na biblioteca. Seu Severo, seu melhor amigo! Não podia acreditar.
A ruiva se levantou rapidamente ao trombar com outro grande amigo, Remo Lupin.
– Lily, você esta bem? Está chorando? – perguntou o garoto.
– Ah Remo, você não sabe o que aconteceu! – disse Lily, abraçando-o.
Tomando-lhe pela mão, Lupin sugeriu:
– Vamos até a Sala Precisa. Assim podemos conversar melhor.
Ao
chegarem ao sétimo andar, os garotos pensaram em um lugar onde pudessem
ter um pouco mais de privacidade. Ao abrir a porta, se depararam com
uma sala circular que abrigava duas poltronas de veludo aparentemente
macias, com uma mesa de centro, servindo de apoio a uma enorme bandeja
com xícaras de chá.
Após se sentarem, Lupin começou:
– Afinal, o que aconteceu para você estar desse jeito? Está tão pálida.
–
Ah Remo, eu nem sei por onde começar. – chorou Lily. – Você sabe que
fiquei preocupada com o Sev, então resolvi ir atrás dele. O achei na
biblioteca e ele... ele...
– Estava passando muito mal? – arriscou o garoto.
Lily respirou fundo e continuou:
– Não, ele estava... agarrado com Narcisa Black.
– O QUE? O Snape? – exclamou Lupin. – Tem certeza de que não era outra pessoa?
–
Claro que tenho certeza! Eles estavam lá se beijando e nem notaram a
minha presença. – explicou a garota, enxugando as lágrimas.
Lupin
se levantou e aproximou-se da amiga. Nunca a vira daquele jeito, tão
pálida, tão... acabada. Lily era sempre tão alegre e extrovertida,
sempre rindo e alegrando todos a sua volta. Então perguntou, por fim:
– E pode me dizer por que isso te incomoda tanto? – a ruiva não respondeu. – Lily, você gosta do Snape?
– Claro Remo, ele é meu melhor amigo e...
– Acho que você não me entendeu. – cortou-lhe. – Vou reformular minha pergunta. Está apaixonada por ele?
Lily
deu um longo suspiro. Estava tão confusa! Sabia que o que sentia por
Severo era especial, mas, até aquele momento não tinha conhecimento do
quanto. Respondeu:
– Eu não sei. Eu sempre amei o Sev como um amigo, como um irmão. Mas hoje, quando o vi com outra garota, senti tanto...
– Ciúmes. – completou Remo novamente. – Mas talvez esteja apenas com medo de perder seu amigo.
–
Não, não é isso. Senti vontade de arrancar a Black de lá de dizer ao
Severo que ele não tinha o direito de fazer isso comigo. Que era a mim
que... que ele tinha de beijar. –corou Lily.
Lupin levantou-se e disse:
–
Lily, eu sinto muito. Me dói saber que tenha passado por isso, imagino
como deve ter sido difícil pra você. Mas terá que aprender a lidar com a
situação. Se eles começarem a namorar, terá que aprender a dividir
Snape com Narcisa. Olha,vamos voltar para o Salão Comunal, ok? Vá dormir
um pouco e converse com ele amanhã.
A garota se levantou também e acompanhou Remo até a torre da Grifinória, onde se despediram, indo cada um para seu dormitório.
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Enquanto isso...
No
início, Snape se sentira nas nuvens. Mas após poucos minutos, a euforia
causada pela poção fora se extinguindo. Suas tentativas de se soltar
não pareciam estar dado certo, pois Narcisa havia realmente se
empolgado. A loira estava literalmente enroscada no pescoço de Snape e o
puxava com uma força excessiva, cada vez que o garoto tentava respirar.
Aos poucos, Severo foi conseguindo parar o beijo, e enfim disse, ofegante:
– Ciça, pare.
Narcisa finalmente se acalmou.
– Ah Sev, foi maravilhoso! Não sabia que estava tão apaixonado por mim.
– Ciça, eu...
– É claro que eu aceito ser sua namorada. – a loira completou abraçando-o com força.
– Não foi isso que...
–
E todos vão ficar sabendo. Ai, não vejo a hora de contar para as
garotas, Bela vai morrer de inveja, já que agora tenho namorado e ela
não. – disse, sonhadora.
– Eu...
– Sei que está entusiasmado. Vamos. – ordenou, conduzindo-lhe pela mão.
Caminharam
em silêncio até as masmorras. Snape se sentia enjoado, tinha certeza
que havia Amortentia naquele suco que Mulciber lhe oferecera. Ah, iria
matar aqueles dois! Mas antes precisaria explicar a Ciça que tudo fora
um mal entendido. Quando iam entrando na Sala comunal da Sonserina, o
garoto abrira a boca para falar, mas fora interrompido pela voz
estridente da loira:
– Gostaria da atenção de todos. Tenho um aviso muito importante a dar.
Todos
os presentes calaram-se imediatamente. Nott abaixou seu livro. Malfoy,
assustado, acabou derramando tinta em seu pergaminho. Avery e Mulciber
deram uma pausa em sua partida de xadrez e fitaram a garota, ansiosos.
Narcisa continuou:
– Queria anunciar que Severo e eu estamos namorando!
Snape
congelou. Nott arregalou os olhos. Malfoy caiu da cadeira, derrubando o
resto do tinteiro em sua carta. Avery e Mulciber aplaudiram.
–
Agora, tenho que escrever para minhas irmãs, contando a novidade. Até
mais,fofinho. – disse Ciça beijando-o e logo correndo ao dormitório
feminino.
Assim que a garota sumiu de vista, Malfoy se levantou,
os longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo balançando em suas
costas.
Andou até Snape e perguntou:
– Desde quando está a fim da Ciça?
Severo o encarou. A expressão de Malfoy estava mais fria que o normal.
– Não lhe devo satisfações, Malfoy– respondeu, rapidamente se retirando da sala.
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