O que foi aquilo? Severo ainda estava em transe quando
percebeu que Lily já tinha ido embora. Mas por quê? Sem conseguir
encontrar nenhuma resposta para a grande quantidade de perguntas que já
se formavam em sua cabeça, recomeçou a andar. Resolveu que o melhor a
fazer seria continuar seu caminho, afinal já estava atrasado para a aula
de Feitiços.
Após a sineta tocar, um enxame de alunos se espremia
pelos amplos corredores de Hogwarts, famintos e ansiosos para mais um
maravilhoso almoço. Severo saíra apressado, sem mesmo terminar de ouvir
as recomendações do professor Flitwick para o estudo dos N.O.M's.
Precisava falar com Lily,antes mesmo do almoço. Não conseguira se
concentrar na aula, as explicações do professor não passavam de meros
zunidos enquanto Snape tentava entender o que havia se passado minutos
atrás.
Teria Lily ficado com ciúmes? "Claro que não? Por que ela
teria ciúmes de alguém como você? Você não é nada." Disse uma voz em sua
mente. "Se bem que a cara dela não foi nada satisfatória quando
Slughorn o colocou com a Narcisa. Isso sem falar no tom desprezível com o
qual repetiu o apelido dado pela colega."
Ao tentar, com sucesso,
interromper o debate em sua mente, Snape continuou andado, à procura da
amiga. Entre um mar de cabeças, destacava-se a ruiva. Lily estava
sozinha e ainda parecia aborrecida. O garoto correu até ela e gritou:
– Lily, espera.
A garota se virou.
– Sev! Ah Sev, me desculpe por ter saído daquele jeito. Não sei o que me deu.
No
fundo sabia. Sabia que não tinha gostado nada do jeito que Narcisa
havia tratado Severo, muito menos do beijo que tinha dado nele. Mas não
queria demonstrar nada disso. A última coisa que queria era que Severo
pensasse que estava com ciúmes. O que, infelizmente era verdade. Mas
ora, qual era o problema? Não podia ter ciúmes de um amigo? Só estava
com medo de perdê-lo, só isso.
– Está tudo bem. – disse Snape. – Parece preocupada,Lily. Quer conversar depois do almoço?
– Eu... eu estou bem.
Snape não se convenceu.
–
Olha, vamos nos encontrar na frente do lago, como sempre. – a garota
abriu a boca para contestar, mas Snape a cortou – Não Lily, vamos sim.
Eu quero falar com você.
Lily não teve mais o que discutir.
– Ok.
E seguiu para a mesa da Grifinória.
Mais
tarde, Snape encontrava-se sentado em frente ao Lago Negro, observando a
Lula Gigante. Não estava muito certo se a ruiva viria ao seu encontro,
mas logo a viu. Lily vinha correndo e quase derrapou ao chegar à margem
do lago. Sentou-se ao lado do amigo e foi logo perguntando:
– Sobre o que queria conversar?
–
Não vai dizer nem um "oi"? – perguntou Severo, tentando adiar a
conversa. Há poucos minutos estava amaldiçoando a si próprio por ter
chamado a amiga para conversar.
– Desculpe, é que fiquei realmente curiosa. – disse Lily, corando levemente.
– Tudo bem. Na verdade eu queria te fazer uma pergunta.
– Vá em frente.
– Bem... Lily, eu queria saber por que você ficou tão brava quando me despedi da Narcisa.
A garota ficou vermelha, quase atingindo o mesmo tom de seus cabelos.
–
Eu n-não fiquei brava. É que, poxa, ela te conhece há duas horas e já
quer ficar te beijando? E que negócio é esse de vocês se encontrarem na
biblioteca hoje à noite? O que vão fazer? – disse quase sem ar.
Por
mais que tentasse se controlar, Lily tremia de nervosismo. Snape
acariciou suas mãos levemente. Aquelas palavras o iluminaram. Então era
isso? Estaria Lily com ciúmes? Será que se entrosar um pouco mais com
Narcisa Black seria a chave para finalmente conseguir a garota de seus
sonhos? Resolveu testá-la um pouco mais:
– Calma! Sabe, a Ciça é
bem legal e acabamos ficando amigos. Ela está com dificuldade em poções,
mas é muito empenhada e está tentando melhorar. Então me ofereci para
ajudá-la com aulas complementares, só isso.
Lily tirou as mãos bruscamente.
–
Ah claro, como não pensei nisso antes?– disse irritada. – Vocês se
conhecem há, deixe-me ver, 3 horas? E já estão amiguinhos, trocando
apelidos carinhosos e combinando de se encontrar na biblioteca pra
simplesmente "estudar"? – Lily estava à beira de lágrimas, fazendo um
esforço inútil de contê-las. – Agora só falta me dizer que sentiu o
perfume do cabelo dela vindo da poção e... e...
Não conseguia mais
falar. Não sabia o que estava acontecendo. Por que tudo isso mexia
tanto com ela? Não devia sentir ciúmes. Devia estar feliz pelo amigo ter
encontrado alguém com que tivesse afinidade, mas não conseguia. Então
simplesmente levantou e correu em direção ao castelo.
Snape ficou
ali, parado. Lily definitivamente estava morta de ciúmes. Sabia que era
maldade fazer isso, mas está era sua única arma, sua única estratégia.
Iria testá-la. Encontraria Narcisa naquela noite e faria o possível para
se aproximar, o suficiente para fazer Lily entender de uma vez por
todas que o amava.
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Enquanto isso...
Avery e Mulciber
estavam sentados na mesma sala de aula vazia, aguardando a chegada da
garota Black. Ouviu-se uma batida de leve na porta. Mulciber a
destrancou.
– Entre.
A loira entrou devagar, fechou a porta e se aproximou dos rapazes.
– Então?- perguntou Mulciber curioso.
Narcisa respirou fundo e começou a relatar os acontecimentos do início do plano:
–
Bom, por enquanto está dando tudo certo. Consegui convencer o Prof.
Slughorn de me colocar com Snape durante a aula, dando a desculpa de que
estava tendo dificuldade.
– Vimos vocês conversando durante a aula. – disse Avery.
A garota continuou:
–
Tentei puxar conversa. Ele é bastante duro. Frio. Depois que terminamos
a poção, eu perguntei se ele podia me dar uma aula particular hoje à
noite. Combinamos para depois do jantar, na biblioteca.
– Excelente. – elogiou Mulciber. – Realmente exc...
– Espere. – Narcisa o cortou. – Ainda não cheguei na melhor parte.
Dizendo isso, tirou um pequeno frasco de suas vestes e entregou a Mulciber.
– Amortentia.
Os garotos a fitaram. Então Mulciber sorriu.
– Deixe-o conosco.
Narcisa gritou:
– NÃO! É MEU E...
– Cale a boca, quer que alguém venha aqui? – sussurrou Avery.
– É melhor nos dar essa poção Ciça, ou vamos ter que entregar a certo alguém isso aqui. – alertou Mulciber, tirando um pequeno diário da mochila.
Narcisa ficou totalmente branca.
– Você prometeu...
– E cumprirei se nos entregar a poção.- disse Mulciber.
A garota logo entregou o pequeno frasco.
– Quando vai me devolver?
– Assim que terminar o plano. De um jeito positivo, é claro. – riu Mulciber.
– Vocês não leram, certo? – perguntou a garota, visivelmente nervosa.
– Que pergunta estúpida, é claro que sim. – respondeu Mulciber cínico.
– Inteirinho. – completou Avery.
E num acesso de risos, os garotos saíram da sala, deixando Narcisa cada vez mais decidida em executar o plano com perfeição.
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