Lily ficou inconsciente pelo que lhe pareceram horas. Aos poucos, foi
retomando os sentidos. Ainda com os olhos fechados, ouviu vozes
sussurrando, aflitas. Não conseguia entender o que diziam, só reconheceu
que eram dois garotos. Fez força para ouvir melhor, mas ainda não abriu
os olhos. Não queria que soubessem que sua vítima havia retomado a
consciência.
– Pra que fizemos isso, pode me explicar? – perguntou um dos rapazes.
–
Já te disse, tínhamos que tirá-la do caminho. Só assim Ciça pode
consertar tudo e seguir com o plano. – respondeu o outro impaciente.
Sem
antes pensar, a ruiva abriu os olhos. Notou que estava amarrada em uma
árvore, bem de frente a Avery e Mulciber, os sonserinos que viviam
tentando levar Severo para o lado das trevas. Com o movimento repentino,
os garotos se viraram. Avery soltou um gritinho ao ver que Lily tinha
acordado.
– O que pensam que estão fazendo? – gritou a garota. – Me tirem já daqui, senão vou gritar.
Mulciber se aproximou. Estava muito próximo de Lily. Apontou a varinha para o peito da garota e avisou:
– Grite e sentirá a dor de uma verdadeira maldição Cruciatus sua metidinha de sangue ruim.– e sem hesitar, deu-lhe um murro no rosto.
Lily
sentiu um filete de sangue escorrer por sua face e o corte recém-feito
em seu supercílio arder. Como odiava Mulciber! Sempre o achara
arrogante, mas nada que dissesse mudaria a opinião de Snape.
– Por
que me prendeu? De que plano estavam falando? – perguntou nervosa.
Sentia que as coisas iam mal, muito mal. Sabia que algo estava muito
errado.
Mulciber se afastou. Trocou olhares com Avery e começou a explicar:
–
Vou falar a verdade, já que não há nada que possa fazer para nos
impedir. Você afasta o Snape do que realmente vale a pena. Vive
mantendo-o longe do sucesso, longe de se tornar um verdadeiro seguidor
do Lorde das Trevas. – cuspiu. – Mas as coisas mudaram. Pedimos a
Narcisa Black para seduzi-lo e mudar o monte de bosta de dragão que você
fez questão de enfiar na cabeça dele. Você quase estragou tudo, de
novo. Mas com a preciosa sangue ruim presa aqui, Ciça trará o "Sev" para
a verdadeira vitória.
Então era isso. Por isso o amigo estava tão
estranho. Estava sendo manipulado! "Pobre Sev!",pensou Lily
decepcionada. "E eu duvidei dele".
Avery soltou uma gargalhada. A
ruiva começou a se debater, fazendo esforço para se livrar das cordas,
mas era impossível. Antes que percebesse, foi atingida por um feitiço
estuporante, retomando o silêncio na Floresta Negra
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Enquanto isso...
Snape,
mesmo aos protestos de Narcisa, conseguiu conter a loira em mais um
acesso de fúria e a sentou em uma cadeira. Sorte que Madame Pince estava
passando sermão em dois alunos do primeiro ano e não percebeu a
movimentação dos adolescentes.
– Ciça, está maluca? – perguntou o garoto, ofegante.
A garota o fuzilou com um olhar.
– Não estou maluca, só defendendo o que é meu! – gritou.
Severo tapou sua boca com uma das mãos.
– Cala a boca, quer ser expulsa da biblioteca? Olha Ciça, já chega. Acho que está na hora de esclarecermos tudo.
O garoto sentou-se ao lado de Narcisa. Continuou:
–
Vou ser bem sincero, nunca quis namorar você. Só te beijei aquela noite
porque estava sob efeito de Amortentia. Não, espere. – disse antes que a
loira o interrompesse. – Ainda não terminei. Não te amo e sei que não
me ama também. Ou acha que não percebo como você olha para o nosso
colega de casa Malfoy?
Narcisa riu baixinho e pegou a mão do amigo.
– É verdade, eu estraguei a sua amizade com a Evans. Sei que não é desculpa, mas Avery e Mulciber pegaram meu diário e vão revelar o que está escrito se eu não fizer o que eles mandam.
Snape a encarou.
–
Não teria mais problemas se dissesse a verdade e parasse de esconder as
coisas. Se quiser, posso pegar o diário de volta. – disse. – Mas ainda
acho que deve contar a ele o que sente.
- Me desculpa? Não vou
mais te atrapalhar.E, quer saber, você tem razão. Vou procurar Lúcio,
mas, se puder pegar o diário... – E dizendo isso, Ciça se levantou, deu
um beijo de leve na bochecha do garoto e saiu correndo. Snape também
resolveu ir atrás de Lily e dizer o que realmente sentia.
Severo
procurou a ruiva pela escola inteira. Já havia até passado pela torre da
Grifinória e nada. Só restava uma alternativa. Lily devia estar fora do
castelo. O garoto desceu as escadas e logo sentiu o frio de uma noite
de outono penetrar seus pulmões. Também, estava só de camisa, pois havia
deixado a capa em seu dormitório. Foi direto para a cabana de Hagrid,
mas logo percebeu que não havia ninguém. O Lago Negro também estava
vazio. Um pressentimento percorreu seu corpo. Olhou direto para a
Floresta Negra. Ela estava lá, e precisava de ajuda
Nenhum comentário:
Postar um comentário