Narcisa Black percorreu os vazios corredores de Hogwarts, já estava
tarde, e ela não devia estar fora da cama. Rapidamente chegou às
masmorras e o Salão Comunal da Sonserina estava, aparentemente deserto. A
garota se sentou em uma poltrona de couro preto próxima a lareira,
procurando se aquecer um pouco. Pensou em todas as besteiras que havia
feito com Severo, e percebeu o quanto fora egoísta. Em defesa de sua
vida, estragou a de seu amigo. Uma lágrima solitária escorreu por sua
face e, logo depois, muitas outras percorriam o mesmo caminho. Narcisa
mirou o fogo e soluçou baixinho. No mesmo instante, o som de cadeiras se
arrastando cortou o silêncio na sala. Alguém sentou ao lado da garota e
perguntou, calmamente:
– Por que está chorando? – uma voz masculina ecoou pela sala.
Narcisa finalmente olhou para seu consolador e corou ao notar quem era.
– Não é da sua conta, Malfoy. Achei que estivesse sozinha. – disse.
Lúcio passou um braço por cima do ombro da loira e falou, ligeiramente alterado:
– Me conta, Ciça. Me diz o que o Snape fez que eu arrebento ele!
– Ele não fez nada! – gritou. – Olha, fui eu que terminei com ele, fui eu quem errou.
E novamente, Narcisa começou a chorar. Ao perceber isso, Malfoy a aconchegou ainda mais em seu peito.
– Ei, shhhh, não chore. Quer me dizer o que aconteceu?
Ainda abraçada ao loiro, a garota começou a contar:
–
Bem, Avery e Mulciber roubaram meu diário e ameaçaram contar o que
estava escrito, se eu não fizesse o que mandassem. Eles me obrigaram a
namorar Snape, para separá-lo da Evans. Eu não gosto dela, mas não
queria fazer o garoto sofrer. Agora que me rendi, os dois vão se
revoltar e contar o meu segredo.
O silêncio pairou no ar por mais
alguns minutos. Malfoy parecia refletir sobre algo. Narcisa continuou a
aproveitar um dos poucos momentos de aconchego nos braços de Lúcio. Por
fim, o garoto perguntou:
– E... qual era o segredo?
A garota se levantou. Ficara pálida. Depois de muita relutância, resolveu que era melhor contar a verdade.
–
Bem... – começou. – O segredo é que estou apaixonado por um garoto. Um
garoto loiro, de olhos azuis cinzentos e... muito bonito.
Malfoy corou.
–
P-posso saber quem é o felizardo? – perguntou o garoto, timidamente.
Malfoy não costumava ser tímido, muito menos gentil e afetuoso. Mas
aquele era um caso especial.
O garoto afastou os cabelos loiros de
Narcisa e secou suavemente, com a ponta dos dedos, as lágrimas recém
derramadas. Malfoy a encarou. Não era o olhar de costume, frio e
debochado, mas sim, intenso e apaixonado. Lentamente foi aproximando
seus lábios dos de Narcisa e a beijou. Ao notar que fora correspondido,
Lúcio aprofundou o beijo, pensando o quanto esperara por aquele momento.
Narcisa, por sua vez, não pensava, apenas sentia. Sentia que aquele
beijo fora mais do que sempre imaginara ser.
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