domingo, 9 de outubro de 2011

Capítulo 9 - O Segredo de Narcisa

Narcisa Black percorreu os vazios corredores de Hogwarts, já estava tarde, e ela não devia estar fora da cama. Rapidamente chegou às masmorras e o Salão Comunal da Sonserina estava, aparentemente deserto. A garota se sentou em uma poltrona de couro preto próxima a lareira, procurando se aquecer um pouco. Pensou em todas as besteiras que havia feito com Severo, e percebeu o quanto fora egoísta. Em defesa de sua vida, estragou a de seu amigo. Uma lágrima solitária escorreu por sua face e, logo depois, muitas outras percorriam o mesmo caminho. Narcisa mirou o fogo e soluçou baixinho. No mesmo instante, o som de cadeiras se arrastando cortou o silêncio na sala. Alguém sentou ao lado da garota e perguntou, calmamente:

– Por que está chorando? – uma voz masculina ecoou pela sala.

Narcisa finalmente olhou para seu consolador e corou ao notar quem era.

– Não é da sua conta, Malfoy. Achei que estivesse sozinha. – disse.

Lúcio passou um braço por cima do ombro da loira e falou, ligeiramente alterado:

– Me conta, Ciça. Me diz o que o Snape fez que eu arrebento ele!

– Ele não fez nada! – gritou. – Olha, fui eu que terminei com ele, fui eu quem errou.

E novamente, Narcisa começou a chorar. Ao perceber isso, Malfoy a aconchegou ainda mais em seu peito.

– Ei, shhhh, não chore. Quer me dizer o que aconteceu?

Ainda abraçada ao loiro, a garota começou a contar:

– Bem, Avery e Mulciber roubaram meu diário e ameaçaram contar o que estava escrito, se eu não fizesse o que mandassem. Eles me obrigaram a namorar Snape, para separá-lo da Evans. Eu não gosto dela, mas não queria fazer o garoto sofrer. Agora que me rendi, os dois vão se revoltar e contar o meu segredo.

O silêncio pairou no ar por mais alguns minutos. Malfoy parecia refletir sobre algo. Narcisa continuou a aproveitar um dos poucos momentos de aconchego nos braços de Lúcio. Por fim, o garoto perguntou:

– E... qual era o segredo?

A garota se levantou. Ficara pálida. Depois de muita relutância, resolveu que era melhor contar a verdade.

– Bem... – começou. – O segredo é que estou apaixonado por um garoto. Um garoto loiro, de olhos azuis cinzentos e... muito bonito.

Malfoy corou.

– P-posso saber quem é o felizardo? – perguntou o garoto, timidamente. Malfoy não costumava ser tímido, muito menos gentil e afetuoso. Mas aquele era um caso especial.

O garoto afastou os cabelos loiros de Narcisa e secou suavemente, com a ponta dos dedos, as lágrimas recém derramadas. Malfoy a encarou. Não era o olhar de costume, frio e debochado, mas sim, intenso e apaixonado. Lentamente foi aproximando seus lábios dos de Narcisa e a beijou. Ao notar que fora correspondido, Lúcio aprofundou o beijo, pensando o quanto esperara por aquele momento. Narcisa, por sua vez, não pensava, apenas sentia. Sentia que aquele beijo fora mais do que sempre imaginara ser.

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